Revista Concinnitas: chamada aberta dossiê A partir da lacuna temporal urge imaginar

Como especular ou imaginar a partir da lacuna temporal, no time-lag, sem etapas ou desenvolvimento desigual, sem modernidades alternativas em relação a uma modernidade modelo ou a um desenvolvimento parelho (harmônico)? Como pensar sem os relatos historicistas e imperiais da temporalidade do capitalismo e seu imperativo de modernização emancipatória?

Josefina Ludmer, Aqui América Latina. Uma especulação, 2013 

Os modos de fabulação como a ficção científica ou a ficção especulativa, em suas diversas formas de escrita e expressão visual, nos convidam a imaginar cenários alternativos, além de nos oferecer ferramentas e estratégias para projetar coletivamente futuros mais sustentáveis, responsáveis e cuidadosos, assim como para realizar as transformações necessárias para alcançá-los.

A partir de enfoques críticos, criativos e especulativos, propõe-se um conjunto de debates,  criação artística e epistemológica que revise os devires históricos (passados e presentes), suas narrativas e visualidades, lute pelos recursos atuais e projete outros futuros possíveis. Nos situamos ao lado da crítica literária Josefina Ludmer, a partir da América Latina. Que publicou Aqui América Latina: Uma especulação no final da primeira década do século XXI. Já pelo título, Ludmer posiciona o lugar do pensamento – ou de enunciação, se seguirmos Djamila Ribeiro – e a especulação desde a América Latina.

“A imaginação pública seria um trabalho social, anônimo e coletivo de construção da realidade. Tod[e]s nós somos capazes de imaginar, tod[e]s somos criadores”, postula Ludmer, que faz um chamado “precisamos de um aparato diferente daquele que usávamos antes. Outras palavras e conceitos, porque não é apenas o mundo que mudou, mas também os modelos, gêneros e espécies nos quais ele se dividia e se diferenciava” (2013: 9, 7). Desde a publicação do livro em espanhol  em 2010, passaram-se quinze anos e o mundo transformou-se ainda mais, e não precisamente para um mundo mais sustentável, responsável e/ou cuidadoso. Portanto, este número parte da seguinte pergunta:

De que maneira as comunidades diversas – LGBTQIAPN+*, mulheres, pessoas racializadas, afro, afrodescendentes, indígenas, neurodivergentes, imigrantes e refugiadas, pessoas com deficiência, minorias religiosas, pessoas precarizadas, sem-teto e desempregadas – subvertem e/ou minam os sistemas violentos, extrativistas e discriminatórios neste planeta danificado?

* As múltiplas diversidades e dissidências sexogênericas, como pessoas transfemininas, mulheres trans, travestis, les transmasculines, homens trans, não bináries, as sapatão, as bichas, dissidentes, cuir/queers, bissexuais, assexuais e pansexuais, e todas as demais existências das quais não temos consciência ou para as quais não dispomos de palavras para pensar e nomear.

Este dossiê faz um chamado à participação de pessoas pesquisadoras, criadoras, ativistas, agentes da mudança e dissidentes que trabalham para criar outros mundos, mais equitativos, que contribuam para a especulação sobre outros futuros possíveis, que proponham alianças multiespécies, além do humano, pratiquem vínculos afetivos ou sexoafetivos baseados no desejo mútuo, criem relações com fantasmas de outras épocas, ou gerenciem encontros intergalácticos.

Buscamos contribuições que fomentem a ampliação dos modos de fabulação para destacar e elevar diversas vozes e perspectivas. Convidamos a apresentar propostas de, por exemplo, manifestações, ações, instalações e respostas criativas nos formatos de artigos, resenhas, trabalhos de arte e ensaios visuais, e gostaríamos de promover ativamente formas colaborativas, alternativas e inovadoras de compromisso com os seguintes temas e campos de interesse, sempre dentro do âmbito das artes, filosofia, psicanálise e história, bem como da pesquisa artística.

Temas e/ou enfoques sugeridos:

  • Fabulação (feminista, queer/cuir, descolonial, ecologista)
  • Revisões históricas críticas com perspectivas para outros futuros possíveis
  • Alianças, interdependência, relações e cuidados diversos ou multiespécies
  • Esforços colaborativos de desejos e transformação
  • Transformações de nossas formas de nos relacionarmos, de ver e habitar o mundo, e de imaginar outros futuros possíveis, moldados pelos avanços tecnológicos e farmacêuticos das últimas décadas
  • Imaginários políticos e visuais da sustentabilidade, espiritualidades naturais, crise ecológica e catástrofe
  • Práticas artísticas e culturais que imaginam e tentam transformar as condições que perpetuam as injustiças sociais e os sistemas punitivos
  • Descolonização visual da violência extrativista e do saqueio ou rapto cultural

FORMATOS ACEITOS De acordo com os padrões da revista, podem ser entregues: artigos, resenhas, trabalhos de arte e ensaios visuais. Para mais informações sobre as diretrizes gerais para cada formato, consulte: https://www.e-publicacoes.uerj.br/concinnitas/about/submissions

PRAZO FINAL: 31 de maio de 2025.

SOBRE A REVISTA:
Concinnitas é uma revista quadrimestral editada pelo Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), criada em 1997 e, desde 2005, vinculada ao Programa de Pós-graduação em Artes (PPGArtes). https://www.e-publicacoes.uerj.br/concinnitas/issue/view/3304

Envie suas propostas por e-mail para: dossielagunatemporal@gmail.com

REVISÃO POR PARES
Os artigos publicados passam por um processo anônimo de avaliação por parte de especialistas (double-blind peer review). 

IDIOMAS DE PUBLICAÇÃO
Espanhol, Francês, Inglês e Português.

Editorxs convidadxs:
Nina Hoechtl (CIEG, Universidad Nacional Autónoma de México)
Taliboy (PPGArtes, Universidade Estadual do Rio de Janeiro)

Para consultar a chamada aberta em inglês, francês, espanhol e português, ver https://cieg.unam.mx/docs/carrusel/352.pdf